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“Sem dor, sem ganho”? Veja quando isso pode ser perigoso

A frase “No pain, no gain”, ou no português, “Sem dor, sem ganho”, tornou-se um dos mantras mais repetidos no mundo da atividade física. Embora a motivação por trás dessa ideia seja encorajar esforço e disciplina, ela também pode levar a comportamentos arriscados que resultam em lesões, inflamações e danos articulares.

A ortopedia moderna reforça que nem toda dor é sinal de evolução. Em muitos casos, ela é um alerta claro do próprio corpo de que algo não vai bem. Vamos entender melhor.

 

O que realmente significa “dor” durante o exercício?

É importante diferenciar desconforto normal do treino de dor lesiva, que indica sobrecarga indevida.

Dor normal (esperada)

Relacionada ao esforço muscular, geralmente aparece:

  • durante treinos intensos,
  • em exercícios novos,
  • ou algumas horas após a atividade (a famosa dor muscular tardia, ou DOMS).

Essa dor é suave, transitória e melhora com repouso e alongamento.

Dor anormal (sinal de lesão)

Indica que o corpo ultrapassou o limite seguro. Pode aparecer como:

  • dor aguda e pontual,
  • dor que piora ao repetir o movimento,
  • sensação de fisgada,
  • inchaço,
  • limitação funcional,
  • dor que persiste por dias.

Esses sinais podem indicar lesões como tendinite, estiramento muscular, bursite ou até fraturas por estresse.

 

Quando o “Sem dor, sem ganho” se torna perigoso?

Existem situações em que insistir no treino pode levar a danos sérios. Atenção especial aos seguintes sinais:

  1. Dor intensa ou súbita

Dor aguda, em facada, durante o exercício é um alerta claro. Forçar o movimento pode causar rupturas musculares, ligamentares ou lesões articulares.

 

  1. Dor que altera o movimento

Se você muda a postura ou “compensa” um lado para continuar, corre risco de gerar sobrecarga em outras regiões, criando novas lesões.

 

  1. Dor que não melhora com repouso

Persistência da dor por mais de 48–72 horas indica que o tecido pode estar inflamado ou lesionado.

  1. Dor associada a estalos, inchaço ou perda de força

Esses sintomas podem sinalizar:

  • lesões de menisco,
  • tendinopatia,
  • ruptura de fibras,
  • lesão ligamentar,
  • bursite,
  • ou até início de uma fratura por estresse.

Nesses casos, é importante interromper a atividade e buscar avaliação ortopédica.

 

  1. Overtraining

Treinar acima da capacidade de recuperação do corpo resulta em:

  • fadiga crônica,
  • queda de desempenho,
  • alterações do sono,
  • dores persistentes,
  • maior risco de lesões.

O descanso é uma parte essencial do ganho de força e condicionamento.

 

Como treinar de forma segura sem abrir mão dos resultados?

  • Escute o seu corpo - o corpo dá sinais antes de uma lesão ocorrer. Respeitar limites não é fraqueza — é inteligência.
  • Aumente a carga gradativamente - o princípio da progressão é fundamental para evitar sobrecarga muscular e articular.
  • Faça aquecimento e desaquecimento - prepare músculos, tendões e articulações para o esforço.
  • Fortaleça musculaturas estabilizadoras - regiões como core, glúteos e escápulas reduzem significativamente o risco de lesões.
  • Trabalhe mobilidade e alongamento - melhoram amplitude de movimento e diminuem tensão muscular.
  • Respeite os dias de descanso - a recuperação é onde o “ganho” realmente acontece.
  • Procure um ortopedista em caso de dor persistente – o diagnóstico precoce evita agravamento de lesões e acelera a recuperação.

 

Conclusão

A expressão “Sem dor, sem ganho” pode motivar, mas também pode induzir comportamentos perigosos se interpretada literalmente. A ortopedia reforça que a dor é um sinal importante do corpo — e ignorá-la pode resultar em lesões sérias.

Treinar com segurança é a chave para evoluir no longo prazo. Lembre-se: ganho real não depende de dor, e sim de constância, técnica e cuidado.

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